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Communiqué d'ARBRE au sujet des démissions

à la Fondation Casa de Rui Barbosa

 

Le 8 janvier, nos collègues de la Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB, Rio de Janeiro) ont découvert que cinq d’entre eux avaient été relevés des fonctions qu’ils occupaient au sein du centre de recherche qu’abrite cette institution. Antônio Herculano Lopes, directeur, Flora Süssekind, Charles Gomes, Joëlle Rouchou et José Almino de Alencar, responsables des différentes équipes de recherche du centre, chercheuses et chercheurs reconnus en histoire, lettres, sciences politiques, communication, sociologie, ont été écartés au motif d’une “réorganisation administrative”.

La décision a été prise par la nouvelle directrice de la FCRB, Letícia Dornelles, ancienne présentatrice et scénariste pour les chaînes de télévision Globo et Record, proche des milieux évangéliques et sans la qualification exigée pour occuper ce poste. Elle-même avait été nommée par surprise en octobre dernier lors de la prise en main des grands établissements culturels du pays par le gouvernement de Jair Bolsonaro. Les employés de la FCRB - et l’ancienne présidente elle-même - avaient découvert sa nomination dans le Journal Officiel au retour d’un jour férié.

Outre la violence du procédé à l’égard des cinq chercheurs concernés et pour les équipes qu’ils animaient, cette décision menace directement ce centre de recherche, reconnu tant au niveau national qu’international pour son travail en termes de valorisation des archives, d’édition, de liens tissés avec le monde académique et de promotion d’activités destinées à un large public.

L’Association pour la Recherche sur le Brésil en Europe dénonce avec d’autant plus de véhémence le sabordage du centre de recherche qu’elle a réalisé de nombreuses activités (séminaires et journées d’études, publications, échanges) en partenariat avec la FCRB depuis l’organisation d’un premier colloque conjoint lors de l’année de la France au Brésil en 2009. La publication, en 2017, aux éditions FCRB et 7 Letras, du livre Como era fabuloso meu francês! Imagens e imaginários da França no Brasil (séculos XIX-XXI), coordonné par Silvia Capanema P. de Almeida, Olivier Compagnon et Anaïs Fléchet, de même que, plus récemment, la parution de l’ouvrage coordonné par Juliette Dumont, Anaïs Fléchet et Mônica Pimenta Velloso, Histoire culturelle du Brésil (XIXe-XXIe siècles), aux éditions de l‘IHEAL, ne sont que les fruits les plus récents de cette longue collaboration.

Cet épisode n’est malheureusement pas isolé et vient rejoindre la liste déjà longue des attaques contre le monde de la recherche et de l’enseignement supérieur au Brésil. Ce processus, qui a démarré sous la présidence de Michel Temer, s’est accentué de manière dramatique depuis l’accession au pouvoir de Jair Bolsonaro. Censure directe ou indirecte, intimidations contre des individus ou des institutions, asphyxie budgétaire, calomnies et injures constituent depuis un an le répertoire d’action d’un gouvernement qui fait ouvertement l’apologie de l’ignorance et dénie aux sciences et aux scientifiques toute légitimité. Cette entreprise de démolition et de démoralisation continue et protéiforme ne vise pas seulement à livrer la recherche et l’enseignement supérieur aux intérêts privés ; elle est le reflet d’une idéologie pour laquelle la liberté (notamment celle de penser) et la culture constituent une menace. S’attaquer aujourd’hui à l’institution qui porte le nom de Rui Barbosa (1849-1923), cheville ouvrière de l’abolition de l’esclavage au Brésil, juriste internationalement reconnu, orateur hors pair, est un symbole supplémentaire de la logique mise en oeuvre par un pouvoir obscurantiste et autoritaire. 

 

L’Association pour la Recherche sur le Brésil en Europe manifeste sa solidarité aux collègues de la Fundação Casa de Rui Barbosa comme à l’ensemble des chercheurs, universitaires et étudiants qui, par leur travail, leur dévouement et leur engagement, continuent malgré tout de défendre une recherche et une université de qualité, libres de tout dogme idéologique, au service d’une société plus démocratique et plus juste.

 

Nous partageons ce communiqué des étudiants de la FCRB, transformé en pétition.


 

Comunicado da ARBRE sobre as demissões na

Fundação Casa de Rui Barbosa

No dia 8 de janeiro, nossos colegas da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB, Rio de Janeiro) descobriram que cinco dentre eles tinham sido demitidos de suas funções no centro de pesquisas que a instituição abriga. Antônio Herculano Lopes, diretor, Flora Süssekind, Charles Gomes, Joëlle Rouchou e José Almino de Alencar, responsáveis pelas diversas equipes de pesquisa, pesquisadoras e pesquisadores reconhecidos nas áreas de História, Letras, Ciências Políticas, Comunicação, Sociologia, que foram afastados tendo como justificativa a necessidade de uma “reorganização administrativa”.

A decisão foi tomada pela nova diretora da FCRB, Letícia Dornelles, antiga apresentadora e roteirista dos canais de televisão Globo e Record, conhecida por ser próxima de meios evangélicos e sem a qualificação necessária para ocupar o cargo. Ela mesma foi nomeada de surpresa no último mês de outubro, quando da tomada dos grandes estabelecimentos culturais do país pelo governo de Jair Bolsonaro. Os funcionários da FCRB – inclusive a própria presidente de então – descobriram a nova nomeação através do Diário Oficial, quando voltavam de um feriado.

Além da violência deste procedimento no tocante aos cinco pesquisadores em questão e às equipes que eles coordenavam, a decisão ameaça diretamente o centro de pesquisas, reconhecido, tanto a nível nacional quanto internacional, por seu trabalho de valorização de arquivos (incluindo os da própria Casa de Rui Barbosa), de edição, e pelas relações construídas no interior do universo acadêmico, além da promoção de atividades destinadas a um público amplo.

A Association pour la Recherche sur le Brésil en Europe denuncia com ainda mais veemência a sabotagem realizada contra este centro, justamente por ter realizado numerosas atividades (seminários e jornadas de estudo, publicações, intercâmbios) em parceria com a FCRB, desde a organização conjunta de um primeiro colóquio durante o ano da França no Brasil, em 2009. A publicação, em 2017, pela editora da FCRB e pela editora 7letras, do livro Como era fabuloso meu francês! Imagens e imaginários da França no Brasil (séculos XIX-XXI), coordenado por Sílvia Capanema P. de Almeida, Olivier Compagnon e Anaïs Fléchet, assim como, mais recentemente, o lançamento da obra coordenada por Juliette Dumont, Anaïs Fléchet e Mônica Pimenta Velloso, Histoire culturelle du Brésil (XIXe-XXIe siècles), pela editora do IHEAL, são tão somente os frutos mais recentes desta longa colaboração.

O episódio não constitui, no entanto, um caso isolado, e corrobora a lista já longa dos ataques contra a pesquisa e o ensino superior no Brasil. Este processo, que começou durante a presidência de Michel Temer, acentuou-se de maneira dramática desde a ascensão ao poder de Jair Bolsonaro. Censura direta ou indireta, intimidações contra indivíduos e instituições, asfixia orçamentária, calúnias e injúrias constituem há um ano o repertório de ações de um governo que faz abertamente apologia à ignorância e nega qualquer forma de legitimidade às ciências e aos cientistas. Este empenho na demolição e desmoralização contínua e multifacetada não pretende somente entregar a pesquisa e o ensino superior à iniciativa privada; ela é reflexo de uma ideologia onde a liberdade (notadamente a liberdade de pensamento) e a cultura constituem uma ameaça. Atacar hoje a instituição que carrega o nome de Rui Barbosa (1849-1923), peça chave na abolição da escravidão no Brasil, jurista internacionalmente reconhecido, orador inigualável, é mais um símbolo da lógica empregada por um governo obscurantista e autoritário.

A Association pour la Recherche sur le Brésil en Europe manifesta sua solidariedade aos colegas da Fundação Casa de Rui Barbosa, assim como ao conjunto dos pesquisadores, universitários e estudantes que, através dos seus trabalhos, de sua dedicação e engajamento, continuam, apesar de tudo, a defender uma pesquisa e uma universidade de qualidade, livres de todo dogma ideológico, a serviço de uma sociedade mais democrática e justa.

Compartilhamos também o comunicado dos estudantes da FCRB, transformado em petição.

 

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